Acompanhar a história de Maria do Carmo traz-nos o prazer de regressar aos clássicos, onde a narrativa decorre escorreita e as páginas se sucedem perante a avidez do leitor que fica preso ao enredo e à companhia de uma extraordinária mulher que nasceu fora do seu tempo e que faz do seu tear uma arma de expressão e de conquista. Das raízes modestas e serranas, os reveses da vida empurram Maria do Carmo para as distantes terras de Vera Cruz, circunstanciada, agora, a um mundo diferente e a uma tarefa árdua: ser a força constante e firme que dita os destinos da sua família. Por outro lado, a ascensão e o reconhecimento, do espírito criativo de uma mulher, as referências às suas fontes de
inspiração e aos detalhes evolutivos do seu trabalho, conduzem-nos e situam-nos numa constante aprendizagem histórica sobre as convulsões do início do século XX, entre catálogos e trapos tecidos num tear português, instrumento de presença constante, amigo mudo e eternamente fiel. A Mulher do Tear perscruta o imaginário de uma mulher, e
é aqui que angaria a sua maior relevância, pois, sem falsos pudores ou arrevesados recursos estilísticos, envereda pelas paixões e emoções de uma mulher, mãe e amante, tão sóbria quanto ausente, tão firme no conhecimento de si própria e dos circunstancialismos que recusou que a relegassem ao papel usualmente destinado ao sexo (dito!) fraco.
O leitor comove-se com os desaires da sua vida, rejubila com as suas vitórias, e rende-se necessariamente à complexidade de Maria do Carmo, e deixa-a, no fim, com a saudade e tristeza só próprias dos bons romances e das grandes personagens.
Maria João Mendes Ferreira
- Cover
- Title page
- Capítulo I
- Capítulo II
- Capítulo III
- Capítulo IV
- Capítulo V
- Capítulo VI
- Capítulo VII
- Capítulo VIII
- Capítulo IX
- Capítulo X
- Capítulo XI
- Capítulo XII
- Capítulo XIII
- Capítulo XIV
- Capítulo XV
- Capítulo XVI
- Capítulo XVII
- Capítulo XVIII
- Capítulo XIX
- Capítulo XX
- Capítulo XXI
- Capítulo XXII
- Capítulo XXIII
- Capítulo XXIV
- Capítulo XXV
- Capítulo XXVI
- Capítulo XXVII
- Capítulo XXVIII
- Capítulo XXIX
- Capítulo XXX
- Capítulo XXXI
- Capítulo XXXII
- Capítulo XXXIII
- Capítulo XXXIV
- Capítulo XXXV
- Capítulo XXXVI
- Capítulo XXXVII
- Capítulo XXXVIII
- Capítulo XXXIX
- Capítulo XL
- Capítulo XLI
- Capítulo XLII
- Capítulo XLIII
- Capítulo XLIV
- Capítulo XLV
- Capítulo XLVI
- Capítulo XLVII
- Capítulo XLVIII
- Capítulo XLIX
- Capítulo L
- Capítulo LI
- Capítulo LII
- Capítulo LIII
- Capítulo LIV
- Capítulo LV
- Capítulo LVI
- Capítulo LVII
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